38ª Moenda da Canção

A MESMA COR

SOLITÁRIA, NO GALPÃO, PARIU A NEGRA SOZINHA E NO SANGUE QUE A LEVOU CHORA SOLITA A NEGRINHA   Sem pai, sem mãe, sem arrimo, Foi crescendo a Deus dará Lindaça, flor de açucena, Olhos negros, boca larga, Mas era negra a menina E o Deus branco. O que dará?  ...

ENTRELINHAS

Traíram-me as entrelinhas de todos os meus poemas… Pois, nem mesmo eu sabia que a verdade se escondia nessas frestas tão pequenas. E, num gesto repetido, me pus a escrever assim: Entregando, a cada frase, o que havia de mais grave, ou de mais oculto, em mim....

BESTIÁRIO DA SOMBRA

A morte é um lobo à espreita: imóvel, mudo e pulsante.   (No olho, o gelo põe cores de quem domina, distante.)   A morte é serpente rasa e nos vive – de pequenos –   destilando em nossas veias o seu mais lento veneno.   A morte é um...

MALABARISMO ÍNTIMO

Eu te adoro tanto que corro na rua, sapato e cabelo suado molhando na chuva e até acho bom Te espero enquanto disparo no tempo no passo que passa no vôo do meu pensamento no canto contente e fora do tom Parece banal mas é tão natural não me perder no caminho Eu te...

LINHA DE FRONTEIRA

A linha da minha mão É uma picada escondida Chegada, passo e partida Em brumas de cerração. Há quem chame de destino Outros de linha da sorte Pra mim, linha de fronteira. Tatuada entre vida e morte. Me tocou sorver poeira Yuyo amargo e canha branca Me tocou ser o que...

DUAS ASAS

Amar é clave antes que seja o que na pauta ainda não foi nos compõe nascendo, nos deseja além de si…   E que venha em silêncio ou não: o que me sonha profundo e raso sem prazo e solto pra voar é bem mais que eu, e ganha o ar se for plural…   O...