MORADA DO TEMPO ANTIGO

Um rancho longe da estrada que só aparece a cunheira, bem sombreado e guarnecido pela cuscada ovelheira, um banco antigo e comprido todo feito de madeira, pra acomodar as visitas junto à sombra da figueira. Pra enxergar todo o açude tem que subir na cancela, depois de...

ME CHAMO VERSO E CONFESSO

Me chamo verso e confesso Perdi-me em muitos rincões Ando na boca e nos sonhos Que acendem lua e fogões Vivo em estrada e galpões Conheço o campo e a cidade Se me despeço, a saudade Remalha em mil corações…   Por rumo trago a esperança Apresilhada na voz;...

LITORÂNEO

Raiou a luz de uma primavera Pelas querências do nosso lugar, Nessa porfia de histórias tantas Há um verso novo para celebrar:   – Amigo, que ventos o trazem Nesse rancho simples de pescador? – Eu vim unir os meus versos de campo Com os teus poemas de...

FOLHA EM BRANCO

Como se a vida fosse uma folha em branco que viraste agora E com tuas mãos, enfim, pudesses escrever uma nova história Tudo por fazer, o mundo ainda tão novo te pedindo a escrita A boca sussurrando a forma das palavras que um dia serão ditas   Como se sonhasses...

DONA MENINA

Ganhei um chapéu de palha, feito por Dona Menina Que me protege do sol forte e também da chuva fina   É uma linda marisqueira, trançadeira que nem só Ensinou todas as filhas, da mais velha até a menor Vão cantando pela praia, cantos prá Iemanjá Gira, gira, roda a...

CANTO DE FÉ

Pode entrar sem medo, a casa é tua Pode me dizer o que quiser Eu sou de lei, sou da rua E só canto o que me bem fizer Tenho os olhos cheios de esperança E um sorriso pronto pra se dar, se der Uma alegria que dança Da cidade baixa até o sol raiar Sonho com amor e...