Letra: Jaime Vaz Brasil
Música: Mário Barbará
Intérprete: Mário Barbará

Nas quase ruas do vilarejo
expõe a vida o seu cortejo;
os conspurcados, os andrajosos,
os desvalidos e sem destino.

No vilarejo: os flagelados, os padecentes
(sobreviventes), o pobrerio.
No vilarejo: as benzeduras, as liturgias,
a capelinha, o padre gordo.

E enquanto a fome no povo escava seus monumentos
nas casinholas o fio das frestas afia o vento.

Quem interpõe o seu verbo
à verve dos governantes,
se o povoado agoniza
com sua febre constante?

(O vilarejo resume
o terceiro mundo).

E cada inverno agudizante
minuaniza seus habitantes;
os execrados, os esquecidos,
os exilados e sem futuro.

No vilarejo: os humilhados, os provincianos
a nova prole proliferante.
No vilarejo: desnutrição, parasitose,
desinteria, barriga d’água.

O vilarejo é um espelho profundo e claro
da gente pobre à imagem dura do desamparo.

E nos canteiros de espera
(enquanto a miséria aflora)
se percebe a cada dia
que o povoado estertora.

(O vilarejo resume
o terceiro mundo).