(esta parte do show é declamada e cantada)
Letra e Música de Wolf Borges
Intérprete: Wolf Borges

Ouve um hino que inicia uma batalha 
Numa guerra declarada pró-cultura
 
Eis que povo já cansado quebra a farsa
 
E levante desafia a ditadura

Cada um desses artistas levam armas 
Tambor, viola, estilingue, pau e pedra.
 
Pois bem sabem que todo teto de vidro
 
Faz um som bem percussivo quando quebra

Foram anos, foram décadas de surto. 
Na música um narciso sem espelho
 
Goela abaixo uma canção tomou espaço
 
Em todo espaço só se ouvia este roteiro

Maquiagem, uma espécie de pintura 
Na mulher que não se admitia feia
 
Um zumbido, um refrão que insistia
 
Hipnose, indução, ópio na veia

Foi apelo, foi semente de consumo 
Que não brota no quintal do nosso lar
 
Uma árvore que não tem mais raízes
 
Fica fácil para o vento derrubar

Foram anos de invisível opressão 
É projeto, é mercado, é propina
 
A cultura virou marca e produto
 
Uma indústria onde a arte faz chacina

Reis depostos no maracatu 
Terno mofado no congo
 
Quadrilha só de traficante
 
Tirana verdade do povo.

Houve um dia em que o povo foi às ruas 
Dar seu grito, dar seu sangue, chão, poeira
 
E a vitória nesse campo de batalha
 
Acendia uma verdade brasileira

Poderosas eram as armas do oponente 
Invadiam pelo rádio e pelas telas
 
Ondas curtas, raio laser luzidio.
 
Que apagavam nossa luz tal como velas

Foi juntando um arsenal de arte rica 
Veio Minas, veio o Sul, veio o Nordeste
 
Cada um trouxe a poesia em que confia
 
Cada um a melodia que quisesse

Reis devotos no maracatu 
Terno formado no congo
 
Quadrilha dança como antes
 
Tirana ciranda do povo.

Na bandeira divina diversidade 
E o povo pode ver tanta fartura
 
Eram tantas as correntes e verdades
 
Que era a nova abolição da escravatura

Nessa luta todo mundo é convocado 
Para dar a sua participação
 
Basta entrar com a atitude de mudança
 
Basta vir cantar comigo este refrão

E assim vamos juntando muita gente 
Que quer ser diferente, quer ser livre.
 
Toda arte quer ter oportunidade
 
E depois o nosso povo é quem decide

Reis depostos no maracatu 
Terno mofado no congo
 
Quadrilha só de traficante
 
Tirana verdade do povo.

Reis devotos no maracatu 
Terno formado no congo
 
Quadrilha dança como antes
 
Tirana ciranda do povo.

Violão e vocal: Rafael Toledo
Percussao: Giovanni Berti
Teclados e vocal: Omar Fontes Junior