Milonga

Letra e Música: Adair de Freitas
Intérprete: adair de Freitas

Quando me abanco pra compor um verso,
Penso, começo, mas não chego ao fim,
Não é por vício, mas preciso um trago,
Para tropear o verso que há em mim.

E a rima brota saludando a vida,
Como parida de um parto sem dor,
de lombo duro pra contar verdades,
mansa e costeada pra falar de amor.

A cana é doce, amarga é a canha,
a vida é boa, o mundo não,
Se assim não fosse, que coisa estranha,
Eu não teria nem inspiração.

Meu verso pobre já pegou costume,
De ser meu lume pela vida afora,
E me conduz na escuridão do mundo,
Quando a saudade me cutuca esporas.

Por ter meu canto a transparência ingênua,
Da canha pura que golpeio a esmo,
Às vezes conto este segredo antigo,
De achar abrigo dentro de mim mes

SEGREDO ANTIGO
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