Letra de Henrique Fernandes – Marau – RS e Música de Gabriel Lucas dos Santos, “Selvage” – Porto Alegre – RS

Foi regalo de um padrinho
Meu sombreiro requintado
Que repousa pendurado
Bem do lado das esporas
Quantas lidas campo a fora
Foste o limite do céu
Vou cantando o meu chapéu
Contraponteando as auroras…”

Copa baixa fronteiriça
De piazito se acentou,
Depois tapeado ficou
Qual um potro destapado
Barbicacho sempre atado
Que no queixo se afirmava
Quando o vento assoviava
 
Bordoneando o alambrado

Já mocito, anos depois
Tropeava mulas alçadas,
E no fundão da invernada
Firmei copa de tropeiro
Uma ponta, quatro esteios
Escoa água entaipada,
Com a aba desabada
Bem num estilo campeiro.

Reflete o negro da noite
Meu velho amigo das lidas.
Espelho da minha vida,
 
Dos repechos mais torenas,
E o tirrim das nazarenas
Pacholiando nas carreiras
 
Numa estampa domingueira
Arrucinando os vetena.

Perdi a conta dos tentos 
Que o barbicacho afroxo,
Mais de um arrebento,
Mas meu bilonga sotretra.
Não enverga, nem rebenta,
Qual palanque bem socado,
Chapeuzito desabado
Que a todo tirão agüenta.

Hoje repousa num gancho
Carcomido, desbotado
Negro pardo, alabunado,
Meu chapéu perdeu a cor,
Mas não perdeu o valor,
Será sempre meu regalo
Pois quando to a cavalo
Destapo meu sombreador…

Intérprete: Cristiano Quevedo
Violão 7 cordas e vocal: Gabriel “Selvage”
Violão: Guilherme Goulart
Violão: Ângelo Franco
Baixo: Miguel Tejera
Acordeom: Cassiano Gervin
Percussão: Zé Ricardo Barboza

REGALO AO MEU SOMBREIRO
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