Um rancho longe da estrada
que só aparece a cunheira,
bem sombreado e guarnecido
pela cuscada ovelheira,
um banco antigo e comprido
todo feito de madeira,
pra acomodar as visitas
junto à sombra da figueira.

Pra enxergar todo o açude
tem que subir na cancela,
depois de afiar as unhas
o gato pula pra janela;
no capricho, o João barreiro,
vai ajeitando sua casa,
e um gavião, voa, sereno,
quase que nem bate asas.

Morada longe de tudo,
onde, a paz, não sofre ameaça,
dos bons e velhos costumes,
sem mentira e sem trapaça;
se percebe o jeito simples
até no modo de falar,
reflorecem as maçanilhas
e não mudam de lugar.


A cambona improvisada,
feita com lata de azeite,
outra, se usa pra copo,
pra tomar água, ou tirar leite;
prato fundo, aloçado,
pra bóia, de manhã cêdo,
se não for acostumado
é certo que queima os dedos.


Vizinhança de confiança
estampa sincera e franca,
janela e porta, encostadas,
é dia e noite, sem tranca;
todo mundo é parecido,
no jeito, e no linguajar,
e as coisas mais importantes,
estão ao alcance do olhar.

MORADA DO TEMPO ANTIGO
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