Quando me sinto milonga
minha alma aponta prás coisas todas
que enfeitam canteiros…
e sigo a troco de nada
cantando, dando risada
desta comédia de arteiros!
Ando com um pouco de pressa
dosando o tom da conversa
conforme o gosto do pago…
um dia eu volto prá casa
com a charla de quem repara
a vizinha onde passo!

— A mágoa é o pala da solidão
…quem pensar o contrário
com esta cara de otário
diga não!

Que tal retomar o prazer
de escrever como um “loco”
agarrado ao violão…
fazer qualquer judiaria
com essa mania mimosa
de encher de prosa o galpão!
eu mesmo sempre que posso
boleio a perna, me coço
e tapo de suor a palavra…
mas quando olho p’ros “lado”
odeio quem capa-o-gato
alheio a sua manada!

— A vida é nossa sofreguidão!
…quem achar ao contrário
com a mesma cara de otário;
diga não!
Somos farinha do mesmo saco
quebrando os “prato”
mandando lenha nuns “troço”…
eu posso andar diferente
ausente da minha gente
mas toco tudo que gosto!
meu mate está no floreio
onde qualquer milongueiro
sangrar a ponta dos dedos…
matando a pau num costado
com a carne gorda do assado
enfumaçando os pelegos!

— Nesta milonga prá “loco”
… eu falo de tudo um pouco
e que me importa, que os outros
e que me importa, que os riam de mim!

Violão: Lúcio Yanel
Baixo Acústico: Clóvis Boca Freire
Arranjo: Lúcio Yanel

 

MILONGA PRA “LOCO”
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