Milonga

Letra: Jaime Vaz Brasil
Música: Pery Souza
Intérprete: Ivo Fraga

A semana que se foi
me deixou a impressão
que o tempo ao meu redor
de tão velho já cansou.
(A saudade que me pôs
os relógios lentos
intervala sempre o nosso encontro).

A galope, meu cavalo
voejando no caminho
me transporta em seu bailado
parecendo, sem saber
recriar de cada vez
num impulso breve
quatro timbres surdos de tambores.

Ah, coração, hoje o tempo em mim
desgovernado se fez assim:
quando te encontro, morre em seguida;
quando retorno, perde as medidas,
Mas cada dia mais renitente
vem a certeza que de repente
eu vou quebrar o pêndulo
do nosso amor de sábados
e transmudar os sábados
do nosso amor tão pêndulo.

a distância, tão presente,
se apequena ou se desfaz
sempre quando num segundo
fecho os olhos sem querer
e adivinho minhas mãos
em lugar das rédeas
a ganhar as formas do teu corpo.

Quando volto, vem comigo
o sorriso quase morto
dos abanos da porteira
tatuando meu olhar.
No regresso flui em mim
um silêncio grande
e o gosto rubro do teu beijo.

MILONGA DO PENDULAR ENCONTRO
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