(Hércules Grecco/ Carlos Catuípe)
Intérprete: Flávio Hanssen

Era um dia enfarruscado
daqueles que a noite encilha
pra correr sobre as coxilhas
pintando potros cinzentos
na madrugada.
O frio escorrendo quieto
sem brisa nem ventania
fazia gelar as almas
no fundo da sesmaria
aquerenciadas.

Tentei montar no meu pingo
mas vi que ele estava rengo
fui logo soltando o mango
que a gente dos descampados
não força horário.
Entrei no rancho cismando
que a sorte costura atalhados
quando falha a montaria 
o mate faz companhia
ao solitário.

Mateando aquentei meus ossos
mateando pensei lampeiro
quem pega assim no porongo
domina o mundo matreiro
por um momento.
Olhei o dia lá fora
larguei tapera meu tempo
preguei o sonho na lenda
não há fronteira que prenda
o pensamento.

Deixei de lado o porongo
e dei de mão na guitarra
engatilhei a milonga
baleei o gelo com notas
buscando o sol.
As nuvens de chumbo e pluma
varri do ar uma a uma
com vassoura de guanxuma
dos versos de pé quebrado
limpei o céu.

Teclado: Dado Jaeger
Violão Base: Mauro Marques
Violão Solo: Osmar Carvalho
Bandoneon: Carlitos Magallanes
Baixo: Paulo Deniz Jr.
Bateria: Ricardo Arenhaudt
Arranjo: Dado Jaeger

MILONGA DE LIMPAR CÉU
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