(Pery Souza/ Jaime Vaz Brasil)
Intérprete: Ivo Fraga

Dentro deo Livro de Areia
a ampulheta do tempo
virou do avesso.
Quase sangrando no becos
a fome de um tigre em mim.
E farejei as palavras no ar,
a mão do vento se abriu
e pôs em folha suspensa
A Milonga Borgeana.
Mil criaturas da noite
 
transpassam inquietas
os vidros de um bar.
Monstro Aqueronte passeia
na ponta dos pés em nós.
Deu-me um espelho esquisito
e falou da forma que a vida tem
de pôr no rosto uma cara
que a alma desenha.
Milonga Borgeana,
Milonga de sombra.
Um tigre de quatro cores
perdeu-se em teu labirinto.
Milonga Borgeana,
espada de vento
nas calles de Buenos Aires,
nas calles de mis entrañas.
El viejo tiempo se espraia
circula doutrina e suspende o punhal.
No corredor, os rangidos do piso
são tão iguais…
Gume afiado, o destino
que fez a mão do escuro fechar
e pôr em muro de sombra
a Milonga Borgeana.
Abre-se a fresta del sueño
e se adentra el mistério,
un segredo e o frio.
Entro com ele
no espanto da casa del Asterion…
Ah, quem me dera eu pudesse tocar
um solo de bandoneón
ao olho atento que mira
o futuro e o mundo.

Trompete: Jorginho do Trompete
Cello: Ricardo Pereira
Violão: Pery Souza
Arranjo: Pery Souza

MILONGA BORGEANA
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