Letra: Mauro Moraes e Robson Barenho
Música: Talo Pereyra
Intérprete: Talo Pereyra

O gaiteiro parou, alvoreceu,
Ana teve vontade de chorar,
Mas em vez de dizer então adeus
Desatou-se a dançar, dançar, dançar,
Não queria a manhã que se anunciou,
Tanta noite gastou-se a esperar,
A palavra, a promessa, o novo amor,
Ou o nó que a ilusão sabe amarrar.
Era dia marcado a contragosto,
Era o último baile do povoado,
Era um olho molhado em cada rosto,
Outro olho festivo e rebelado.
Era música urgente, beijo urgente,
Era lágrima em véspera de lago,
era dança na véspera da enchente,
E uma caita calada era pecado.

O gaiteiro parou, alvoreceu,
Mas que dia teria luz igual,
Ao olhar que rodava em frente ao meu,
E a paixão que explodiu noutro casal.
Quando as coxas mestiças de Jandira,
Se enredaram em coxas mais febris,
Houve juras eternas de mentira,
Pra guardar em retrato um par feliz.
Era gente que iria pra fronteira,
Que divide o viver e a sobrevida,
Um é água de rio, de cachoeira,
Outro é agua em represa, reprimida.
Em busca de vida, era vertente,
Tanta lágrima em véspera de lago,
Tanta dança na véspera da enchente,
que uma gaita calada era pecado.

E ninguém no salão largou seu par,
Nem viúvas e amantes nem irmãs,
E o gaiteiro voltou a se animar,
(A esperança e a fé são tecelãs);
Sabe lá vão dar conta de tramar,
Mil auroras adiando mil manhãs!

Teclados: Vitor Peixoto
Flauta, harmônica, zampoña: Texo Cabral
Baixo: Everton Pires
Bateria: Ronie Martinez
Percussão: Fernando do Ó
Violão: Mauro Moraes
Arranjo: coletivo

DANÇA
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