Chamamé

Letra: João Batista Machado
Música: Julio Machado
Intérprete: Leopoldo Rassier

Fui ADAGA quando MOÇO, ventena à maneira antiga;
hoje VELHO sou XERENGA, desgastada pela vida.
Me falta o calor do abraço de alguma guaiaca amiga.

Quando MOÇO, fui ADAGA, manejada com destreza;
mas o tempo e a natureza modificaram meu porte;
virei FACA de bom corte, ganhei bainha de couro,
também dois anéis de ouro enfeitando o cabo de osso.
Larguei das artes de MOÇO, me aquerenciei na cintura.

Como FACA fiz reparos no que a adaga fez de mal,
lotei de charque o varal, fiz todo o ofício crioulo;
até que o tempo, rebolo, me deixou meio capenga:
de cabo e fio rebentado, eu passei a ser XERENGA,
eu passei a ser XERENGA de cabo e fio rebentados.

Já não “desquino” mais tentos, meu inverno está mais frio;
e se a bainha sumiu, me “rebusco” na experiência;
e apesar de eu ser XERENGA, sou chuva, sol, sou semente,
GENTE ensinando a ser GENTE, a plantar PÁTRIA e QUERÊNCIA.
GENTE… PÁTRIA… QUERÊNCIA…

Lenin Nuñes: violão
Osmar Carvalho: violão
Carlitos Magallanes: bandoneon
Paulo Deniz Jr.: baixo

ADAGA, FACA, XERENGA
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