Gênero/Ritmo básico: Milonga
Letra: Diego Müller, Sérgio Sodré e Cristiano Barbosa (Canoas – RS)
Música: Robledo Martins e Maurício Lopes (Pelotas – RS)

Devolvo ao lugar antigo
A pedra que despencou
Do memorial que ficou
Num fundo de inyernada…
Silhueta arredondada
Moldando a paz do varzedo,
Misto de entono e segredo
Rodeando a terra rebolcada!

Costeia no pé do serro,
Os caponetes de aroeira…
Se adoça de pitangueiras
Quando a estação coloreia…
Tuas frestas, igual veias
Onde circula a lembrança
Dos que deixaram distâncias
Pra o índio que campereia!

Chão batido — pêlo e terra — 
Estroncas inda aguentando,
 
Touro entonado berrando
 
No ritual de outro banho…
 
Hoje limitas rebanhos
— Pra sustento da minha terra —
Mas escorastes nas guerras
 
Muito o zunir dos estanho!!!

Velha mangueira de pedra…
…Me assombraste na infância,
Quando eu sorvia na estância
Tantas coisas que aprendi…
E ao apeiar, eu senti,
Um anseio que insiste:
Que bom se o pago sentisse
Esta paz que há em ti!

Assim, ajeito outras pedras
— Em respeito não me apuro —
Mas repenso um futuro.
 
Que aos poucos vem apertando.
E me pergunto: até quando
Escutarás minhas esporas?…
…Porque vejo, campo a fora,
 
A criação se findando!!!

Violão – Maurício Lopes
Violão – Maikell Paiva
Violão – Gabriel “Selvage”
Baixo – Carlos de Cesaro
Intérprete: Robledo Martins

 

A PEDRA QUE DESPENCOU
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