SOLITÁRIA, NO GALPÃO,

PARIU A NEGRA SOZINHA

E NO SANGUE QUE A LEVOU

CHORA SOLITA A NEGRINHA

 

Sem pai, sem mãe, sem arrimo,

Foi crescendo a Deus dará

Lindaça, flor de açucena,

Olhos negros, boca larga,

Mas era negra a menina

E o Deus branco. O que dará?

 

Tão bonita quanto a mãe

A mesma sorte, a mesma cor

Ninguém a olhar por ela

Mas por beleza tamanha

Arrastou a mesma sanha

Trouxe dela a mesma dor

Feito gata de borralho

Qualquer um lhe faz carinho

Prova a beleza e se vai

Qualquer um xinga a negrinha

Ninguém precisa de atalho

Qualquer um leva pra o ninho

 

Será que em cor de sinhá

Sentiriam o que ela sente?

Coraçãozinho apertado

Do freio o queixo quebrado

E se trariam no ventre

De quem? Não sabe! A semente?

 

SOLITÁRIA, NO GALPÃO,

PARIU A NEGRA SOZINHA

E NO SANGUE QUE A LEVOU

CHORA SOLITA A NEGRINHA

A MESMA COR
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